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Learning, Tutoring and mediation

18 Marzo 2013

This article examines interactive communication systems and emerging products related with teaching that take into account structured organized content and students’ motivation.

A educação autêntica

não se faz de “A” para “B” ou de “A” sobre “B”,

mas de "A" com “B” mediatizados pelo mundo.

In Paulo Freire (1979: 98)

 

1. Introdução

“Difícil é sentá-los” e “Difícil é educá-los” foram preocupações que deram título a ensaios de Marçal Grilo (Neto, D., 2001) e David Justino (2010). Reflectindo sobre o teor dos mesmos e seguindo a linha de pensamento dos autores, considero que se existe dificuldade em sentá-los e educá-los, certamente o desafio em ensiná-los não será menor.

Muitas vezes deparamo-nos com questões tais como: O que é necessário para ser um bom professor? Como ajudar os alunos a aprender? Que modelo de ensino aplicar? Como favorecer o progresso dos alunos? Que interacções gerar? Que estratégias de aprendizagem implementar? Estas são questões que sempre preocuparam, preocupam e preocuparão todos aqueles que reflectem sobre os problemas da educação. Julgo que nunca, como no último terço do século XX, se debateu tanto sobre estas questões, que se prendem com o processo ensino-aprendizagem, com o papel dos professores e alunos, com o desenvolvimento curricular e os modelos pedagógicos.

Vivemos numa sociedade em fortemente marcada pela presença do digital, ao qual o sistema educativo está aberto. No século XXI, não mais se pode aceitar a concepção mecanicista do ensino, de professores passivos, com interactividade reactiva, cuja função é de mera transmissão de saberes, cumprindo uma rigorosa prescrição didáctica. Hoje, cada vez mais os alunos chegam às escolas com perfis e níveis de conhecimento e dificuldade diferentes e a escola não é a única fonte de saber. Há portanto que estabelecer uma outra forma de diálogo entre o professor, o aluno e o saber. A metodologia tem de ser muito mais interactiva do que didáctica, falar-se muito mais com os alunos, do que falar-se para eles.

 

 

Figura 1: Triângulo pedagógico de Houssaye. Representação gráfica da relação pedagógica.

 

Na Figura 1[1], podemos visualizar quatro triângulos, que correspondem a quatro práticas pedagógicas, onde o professor tem uma intervenção mais ou menos directiva ou uma mediação ligeira, de acordo com a dimensão das necessidades ou dificuldades dos alunos. Podemos, assim considerar, que a arte de ensinar assenta na conjugação da tensão existente entre os três pontos: professor, aluno, saber e a harmonia que reside na articulação destes pontos.

 

2. Ensinar e aprender no mundo digital

Métodos formais, não-formais e informais de aprendizagem são potencialidades que devem ser enquadradas num contexto mais vasto, na medida em que estas três hipóteses configuram modos diferentes de ensinar e aprender. Mas em que contexto e em que tipo de escola? Porque em parte responde às questões formuladas, considero pertinente referir um estudo publicado pelos peritos do CERI[2] (2001), sobre que cenários prospectivam as escolas nas duas primeiras décadas do século XXI. Estes cenários foram o produto de um estudo encomendado pela Ministra da Educação da Suécia, em 2000, Ylva Johansson, que coordenou a conferência de Roterdão com base no programa da OCDE Schooling for Tomorrow. Este estudo gerou um grande impacto nas comunidades educativas dos países membros que integram a OCDE, não só porque apresentam algumas soluções extremas, como também possuem um grau de verosimilhança muito grande, dada a proximidade com as realidades que os sustentam. Para facilitar a comparação entre os diversos sistemas escolares, os peritos do CERI tomaram por base cinco variáveis: 1 - Atitudes e apoio político; 2 - Objectivos e funções; 3 – Organização e estruturas; 4 – Dimensão geopolítica; 5 – Força de trabalho dos professores. Com base nestas variáveis, estabeleceram três categorias, cada uma delas com dois cenários.

Logo no início do estudo afirmaram que nenhum dos cenários desenhados se irá cumprir na totalidade. Os peritos assumiram uma realização percentual de cada um e de todos eles, sendo que essa percentagem será em função não só da realidade social e económica da envolvente em que a escola se integra, como ainda do bem-estar do país a que pertence.

As três linhas mestras que identificaram as três categorias são:

 

a) 1ª categoria – Desenvolvimento do modelo de sistema escolar vigente:

Cenário 1 – Fortalecimento do sistema burocrático escolar;

Cenário 2 – Reforço do modelo de mercado para as escolas.

b) 2ª categoria – Reforço do sistema de ensino-aprendizagem:

Cenário 3 – A escola é o pólo centralizador da comunidade onde está inserida;

Cenário 4 – A escolas centrada em todas as formas de aprendizagem.

c) 3ª categoria – Desestruturação do conceito de escola vigente:

Cenário 5 – O foco é dado às redes de aprendentes e à sociedade em rede;

Cenário 6 – Desagregação da escola vigente, com múltiplas formas de organização de acordo com os interesses da sociedade, bem como da susbstituição dos professores.

 

Temos assim, na primeira categoria, onde se privilegia o desenvolvimento do modelo vigente, acentua o sistema burocrático escolar em escolas públicas e o reforço de um modelo com conteúdos e práticas impostas pelas necessidades dos mercados em escolas privadas. Na segunda será reforçada a capacidade de dinamização das comunidades através da escola com responsabilidades acrescidas do ponto de vista social ao nível da cidadania e na formação pessoal e social dos seus utilizadores, podendo evoluir na especialização de competências e excelência de saberes. Como última, apontam-se cenários onde o conceito de escola actual se torna obsoleto pelas possibilidades criadas pela internet no processo da aprendizagem. Esta hipótese aponta, por isso, a possibilidade de dispensar não só a figura do professor como o espaço físico e material da escola.

Uma vez mais se reafirma que nenhuma das categorias, nem nenhum dos cenários são predições para aplicar como receita de um futuro imediato. Os seus autores reforçam repetidamente que um país poderá optar por uma ou mais categorias definidas. Curioso é constatar que existe um denominador comum a ligar as três categorias e os seis cenários: em qualquer deles os peritos do CERI são de opinião que as tecnologias da informação e da comunicação, ou melhor o multimédia, são chamadas a desempenhar um papel preponderante.

Os cenários delineados foram mais ou menos abrangentes, dado que a matriz foi delineada com base em variáveis e categorias existentes. Prespectivado ficou também, a linha denominadora aos cenários: a presença dos sistemas multimédia. Assim, face ao exposto, podemos afirmar que ser professor e estudante no século XXI implica uma adaptação a novas forma de vivenciar o ensino-aprendizagem, exigindo a ambos novas competências, novas literacias digitais e diferentes práticas pedagógicas. Esta realidade implica que haja novas necessidades e motivações para aprender, que por sua vez serão elas próprias, a condição que permitirá ultrapassar obstáculos e dificuldades inerentes a este modelo de ensino.

Tomando como referência os estudos de Piaget e de Vygotsky, as teorias construtivistas e sócio-construtivistas não se apresentam como teorias em sentido estrito, mas são antes um quadro referencial articulando um conjunto de princípios, a partir dos quais é possível diagnosticar e tomar decisões cerca do processo de ensino-aprendizagem. As suas concepções partem do princípio de que a aprendizagem assenta numa base activa, participativa, resultado de uma construção pessoal, mas num processo de interacção com os outros.

A referência aos construtivistas Piaget e Vygotsky ficaria incompleta sem uma menção especial aos construcionistas Seymour Papert e Mitchel Resnick. Ambos os investigadores foram responsáveis por uma parte significativa da evolução da teoria e da prática construtivista ancorada a projectos multimédia, hoje perspectivados numa abordagem de construção activa de modelos, e às metodologias do ensino-aprendizagem on-line. O conceito de construcionismo defendido por Papert et al. (1991) baseia-se na teoria construtivista de Piaget mas, tal como, por sua vez refere Resnick (2002) nasceu da interligação da aprendizagem e de estratégias de educação. Ou seja, paralelamente à construção de um novo conhecimento está subjacente um processo externo, que vai potenciar o equilíbrio das estruturas cognitivas, isto é, quando o aprendente manipula (fazer com as mãos). O aluno aprende, fazendo, no seio de uma rede de aprendentes, criando verdadeiras comunidades de aprendizagem e de prática. Seymour Papert salienta que “Conhecimento é somente uma parte do saber. O saber genuíno ocorre da interacção com a experiência”.[3]

Contudo, o conceito de tecnologia ainda provoca algum desassossego no sistema de ensino-aprendizagem, e há razões para isso. Tal facto deve-se, em parte, às dificuldades impostas ao sistema educativo, à ausência de diálogo entre as partes, aos preconceitos ainda existentes, mas que pouco a pouco tendem a desmontar-se. Considero ainda, que o termo tecnologia é extremamente pobre e redutor quando associado ao sistema de ensino-aprendizagem, na medida em que implícito ao conceito de tecnologia estão os programas, equipamentos e telemática, enquanto que ao sistema pedagógico-didáctico estão os conteúdos, contextos e comunidades de aprendentes. Assim sendo, considero que Sistemas Interactivos de Comunicação (SIC), que engloba os dois sistemas descritos, reflectirá melhor aquilo são as necessidades do ensino-aprendizagem e que o termo tecnologia[4] não contempla porque é pobre e redutor.

E o que são os SIC? Os Sistemas Interactivos de Comunicação e os produtos deles emergentes, vocacionados para o sistema de ensino-aprendizagem, não só respeitam a organização e a estruturação de conhecimentos, como procuram motivar os aprendentes dentro de um determinado contexto. É assim, importante, que se criem bons ambientes e contextos de aprendizagem que facilitem experiências emocionais positivas, a fim de se manter a motivação contínua pela aprendizagem. Para este facto, tem contribuído o progressivo aperfeiçoamento dos computadores, outros equipamentos electrónicos, e respectivos programas, bem como o surgimento da internet que veio viabilizar o ensino à distância em linha. Quer em relação ao modelo presencial, quer em relação ao modelo tradicional de ensino à distância, o modelo de ensino-aprendizagem em linha não trouxe consigo uma melhoria na aquisição de conhecimentos, na medida em que a diferença reside nas novas formas interactivas de comunicar, ensinar e aprender viabilizadas pela internet, que os outros dois modelos não proporcionam.

Por vezes, surgem interrogações sobre se este modelo de ensino é ou não melhor que outros modelos. Vários estudos têm sido elaborados, fruto de observações e investigações científicas, mas nenhum deles afirma peremptoriamente a primazia de um modelo sobre os outros. Cada modelo tem objectivos e públicos específicos, devendo os modelos ser utilizados de acordo com as necessidades e os contextos individuais, organizacionais, de espaço e tempo. De referenciar, que se devem excluir os formatos de ensino totalmente, em modelo em linha dirigidos à infância e à adolescência. Em ambos os casos se considera que é essencial promover a socialização, a interacção presencial - factores essenciais de crescimento, de desenvolvimento, facilitadores de aprendizagem, e não posicionar a criança ou o adolescente, só, face ao computador, no isolamento da relação com os outros. Quer a criança, quer o adolescente não possuem ainda um desenvolvimento que lhes permita gerir e planificar um processo de aprendizagem autónomo, numa estrutura aberta e flexível em tempo, espaço e acções. A vontade de aprender, a construção individual com interacção social, as situações de partilha, de construção, desconstrução e de novas construções requerem o modelo pedagógico presencial.

Contudo, pode e deve o professor recorrer a programas educativos multimédia, à internet, a plataformas de aprendizagem, a fim de disponibilizar recursos, orientações de leitura ou pesquisa com carácter de apoio pedagógico destinado a estes grupos etários. Os ambientes de aprendizagem virtuais promovem diversas modalidades de ensino-aprendizagem, oferecem múltiplas possibilidades de interacção que são o suporte efectivo de utilização de conteúdos (texto, imagens, som), desde que lhes esteja inerente uma filosofia conceptual de e-ensino.

Portanto, as iniciativas que podem fazer a diferença situam-se a dois níveis: através do uso dos sistemas interactivos de comunicação e ao nível da atitude relacional, onde professores e alunos agem activamente, interactivamente, envolvendo-se em estratégias de aprendizagem pessoais e de grupo, gerindo e criando motivações, ajudando os alunos a reflectir. Em caso contrário, as tecnologias transformam-se num recurso didáctico muito pobre, dado que são apenas uma ferramenta a ser aprendida e oferecem o acesso a conteúdos de uma forma agradável.

Então como precisar, o que faz com que um professor, seja mais ou menos eficaz? Argumenta Bressoux (2011) que a resposta não reside nos traços de personalidade, mas sim que devemos procurar a resposta no método que é utilizado pelo professor e que favorece a aprendizagem. Então, que meios pode o professor utilizar? Que meios dispõe o professor, para concretizar as estratégias de ensino-aprendizagem e o método que quer implementar? A este propósito, refere P. Vianin (2009: 210) que “de nada serve “dar” estratégias e métodos de trabalho aos alunos, tipo “chave na mão”, se eles estiverem bem longe de reflectir sobre o seu processo de aprendizagem, [na medida em que] eles não os podem repensar, nem assimilar”. Constata-se assim, que a “chave” está na compreensão por parte dos alunos, da eficácia das estratégias e dos métodos escolhidos pelo professor.

Com algumas pequenas variações terminológicas, mas com orientações semelhantes, todos os autores que investigam a relação pedagógica professor-aluno são unânimes em afirmar que o modelo centrado sobre a inserção social do indivíduo que aprende será muito mais eficaz em relação a outros que se possam utilizar. Podemos portanto afirmar, quando o modelo de ensino-aprendizagem, escolhido pelo professor, utiliza ambientes estruturados, fundamentados na teoria sócio-construtivista de Vygotsky, permite uma interactividade entre professor-aluno, uma aprendizagem colaborativa entre alunos, promovendo, ainda, a reflexão e a experiência que outros tipos de aprendizagem não possibilitam. Esta interactividade, de relação de ajuda, subjacente ao processo de desenvolvimento da competência reflexiva, requer um papel de mediador por parte do professor.

 

3. Aprendizagem e mediação

Um dos papéis fundamentais do professor é o de conhecer os alunos e experimentar várias estratégias em variados contextos, de forma a que estes possam constatar a eficácia de cada estratégia, mas sobretudo que possam compreender a razão da sua eficácia, dado que se os aprendentes não conhecem outras estratégias, a não ser aquelas que utilizam, como podem eles avaliar a pertinência e a eficácia em relação às que não utilizam?

Deste modo, a relação professor-aluno passa sobretudo para uma relação entre professor-conhecimento-aluno. Logo, o professor assume um outro papel o de mediador que vai ajudar os aprendentes a concretizar um desenvolvimento que eles ainda não atingem sozinhos. Sem a aprendizagem mediatizada pelo professor o aprendente tem muito mais dificuldades em obter resultados positivos. Mas esta mediação pode ser feita também por um colega mais experiente, por ambientes estimulantes de aprendizagem ou através de programas multimédia educativos, em que o mediador apesar de não estar presente, contibuiu com o seu conhecimento na conceptualização e desenvolvimento de meios que visam aumentar a capacidade do aprendende em tirar proveito de situações de aprendizagem.

O construtivismo centra o aluno no processo de ensino-aprendizagem, torna-o responsável pela aprendizagem, é ele e os seus conhecimentos, o seu desenvolvimento cognitivo. Nesta área, ele constrói o seu saber através de actividades cognitivas que ele vai explorando, é o processo piagetiano de assimilação-acomodação. Mas isto é insuficiente, ele precisa do mediador que o ajude a ir mais longe, que o ajude a abrir horizontes, que o ensine a aprender estratégias de aprendizagem[5]. É esta interacção sócio-construtivista de Vygotsky, que permite ao aprendente desenvolver métodos e modalidades cognitivas, factores determinantes no seu desenvolvimento. Através da mediação com os outros, que o ajudam a melhor utilizar o conhecimento, ele irá dar capital importância às questões relacionadas com os problemas levantados pela necessidade de aprender a aprender - campo privilegiado da metacognição. Por parte do professor, este tem de privilegiar uma atitude de acompanhamento permanente, incentivar, sugerir, esclarecer as dúvidas, de modo a que o aprendente desenvolva e adquira as noções de auto-estima, auto-regulação, autonomia.

Este modo de vivenciar o ensino assenta, também, nos princípios orientadores de Delors, num dos quatro pilares: Aprender a Viver Juntos, isto é cooperar e colaborar com os outros.

 

4. Conclusão

O termo mediação, na maioria das vezes é utilizado de uma forma muito restrita, limitando-se a caracterizar a  ajuda do professor ou do tutor aos alunos. Contudo, a mediação, à luz das teorias sócio-construtivistas é uma das traves da aprendizagem. Esta afirmação significa que o modelo pedagógico não está assente só na relação professor-aluno, mas, sobretudo, na relação entre professor-conhecimento-aluno.

A teoria construtivista ao trazer outra perspectiva sobre a situação do ensino em geral junto também, um novo esclarecimento sobre as intervenções das técnicas da informação e da comunicação electrónicas. Ou seja, a relação de um aprendente com os diversos equipamentos e com os programas a eles associados, gera uma situação em que quem ensina, que medeia o saber, não é mais o professor, mas o conjunto composto por equipamento e programas.

Então, o que muda quando a interacção se realiza utilizando ambientes virtuais?

O que muda em ensinar e aprender em linha é a maneira de olhar as coisas, como referencia Maragliano (2004). Muda a relação professor-aluno, na medida em que este não é mais o mestre das representações dos alunos, nem dos seus conflitos sócio-cognitivos. É um processo que envolve no seu próprio desenvolvimento as coisas ensinadas; muda a relação com os recursos de aprendizagem, já não separados uns dos outros, mas conectados, ou melhor conectáveis numa perspectiva de rede; muda o centro da acção, que deixa de ser apenas o ensino e a sua organização, para ser também e principalmente a aprendizagem e as suas dinâmicas, individuais e de grupo. Docente e aluno habituados ao modelo presencial devem familiarizar-se com os ambientes de aprendizagem virtuais e em rede não por exigências exteriores, mas por exigências pessoais. O computador deve tornar-se primeiro pessoal, deve ser um instrumento a usar para cultivar as curiosidades de cada um, alimentar as suas propensões, entrar em relação com os outros, jogar, num certo sentido “viver”, e depois pode transformar-se, o que aliás acontece naturalmente, em recurso pedagógico-didáctico para cada um, onde a preocupação deve ser centrada em “como fazer” e não tanto em “como podemos utilizar”.

À luz do que foi desenvolvido nesta reflexão, a questão central, directamente ligada às práticas educativo-pedagógicas, reporta a “Como?” “Como ensinar”. A resposta a esta questão remete-nos para o “modo de fazer”, i.e. como ensinar e aprender através de um ambiente de aprendizagem virtual. Como implementar com eficácia as práticas pedagógicas? De grupo, individuais?, Que estratégias motivantes desenvolver?, Qual o modo de comunicação a utilizar? Modo directivo ou autónomo?, Que recursos escolher?, Como inovar e produzir conteúdos? Como estabelecer comunicações e implementar métodos de apoio? Tudo isto implica uma escolha de procedimentos pedagógicos, de tempos, de ritmos de aulas, de alunos e suas características e ainda, de competência quanto à forma de conciliar teorias, técnicas e práticas.

Como atrás foi explicitado “ser bom professor” passa por ter qualidades pessoais específicas e pelos métodos que utiliza. Cabe-lhe a ele escolher quais os meios de interacção e mediação que sirvam os métodos e estratégias de ensino, a fim de melhorar significativamente a aprendizagem dos seus aprendentes.

Por tudo isto, termino esta reflexão reafirmando que: Difícil,  é ensiná-los!

 

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[1] A Figura 1 foi daptada de: Vianin, P. (2009). “Les fondements théoriques” in L’aide stratégique aux élèves en dificulté scolaire. Bruxelles: Éditions De Boeck Université, pp. 213-215; Houssaye, J. (1993). La pédagogie: une encyclopédie pour aujourd’hui. Paris: ESAF, pp.15-21.

[2] CERI – Centre for Educational Research and Innovation, OCDE.

[3] Citação retirada de: Lego MindStorms (1998). Robotics Invention. System 1.5. Denmark e Switzerland: Lego. [material didáctico].

[4] A palavra Tecnologia congrega outras nomenclaturas associadas como TIC-Tecnologias da Informação e da Comunicação; NTIC-Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação; TICE- Tecnologias da Informação e da Comunicação na Educação; NTICE-Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação na Educação.

[5] A mediação é também, muita vezes denominada por scaffolding (colocar andaimes, andaimação). O conceito pode ser entendido como uma estratégia de ensino-aprendizagem mediada pelo professor. O aluno vai colocando andaimes no seu “edifício” de saberes, construindo de forma gradual e segura o seu conhecimento. Esta metodologia ou estratégia pode e deve ser utilizada pelo professor como um agente facilitador, uma ponte de união entre o que os alunos já sabem e o que é necessário para chegar a algo que ainda não sabem.

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eLearning progress in higher education: The voice of experience. Interview with Tony Bates

18 Enero 2010
Dr. Tony Bates is a keynote speaker, much in demand, who has worked in more than 40 countries specialising in the strategic use of elearning in higher education. Silvia–Adriana Tomescu interviewed him to find out about his opinions on how to improve the present implementation of elearning in higher education institutions.

New technologies involve new methods of teaching, learning and training. However, the universities lack well-defined structures to accomplish it. Who should teach/train e-teachers?

Good question. The normal practice is to establish a Teaching and Learning or Professional Development centre with experts on pedagogy and educational technology. However attendance at workshops organized by these centers is usually voluntary, and often the professors who need it most don't come. Some faculties/academic departments delegate a 'respected' academic within the department to be responsible for professional development of their colleagues, particularly newly appointed young professors. These are both what I would call weak approaches, although better than nothing.
What is really needed (and won't happen) is for professors to be formally accredited following training in teaching. This would best be done by radically reforming the post-graduate training to include training in teaching as well as research as part of the Ph.D. process.

Is the scientific research now a hybrid process (in terms of using the informational resources)?

I believe that in knowledge-based societies, all teaching and research needs to include the use of information technology, because this is how knowledge is now being created, stored and organized.

What is the role of learning paradigms and how have they been modified by elearning environment?

I believe that instructional design (I prefer the term: design of learning environments) is an absolute requirement for quality teaching with technology. Technology raises the skill level for teaching, because to use technology well, you need to know its strengths and weaknesses with respect to face-to-face teaching, and this requires an understanding of how people learn as well as the potential of technology for teaching. Unfortunately in most applications of e-learning, there is no change to the learning paradigm. The technology is added on to the existing classroom paradigm. 'True' blended learning requires a re-design, to ensure that the unique benefits of the classroom/campus are combined with the unique benefits of asynchronous learning. Students can spend much more time ‘on task’ with well-designed digital learning materials, thus freeing up professors’ time for direct or online interaction with students.

What is the role of didactic discourse in e learning environment?

Again, this is important in most subjects, although it does reflect a particular view on education – that learning is socially constructed – that not all professors share. Again, in an online environment, to ensure that discussion is focused and academic, rather than incoherent and shallow, the instructor/teacher has an important role to play, ensuring that the discussion stays on topic, that content/learning materials are drawn on to support the discussion, and the discussion operates at an academic level. There are several good books on this (e.g. Paloff and Pratt, Salmon, Harasim, etc.)

All the education systems raised around libraries from oldest times to the present. The library had the mission to form to inform and now we can say that it is a real provider of electronic resources for users on and off campus. They have to up to date with the new learning curricula and provide information resources according to it. What is in your opinion the role of the university library for e learning?

University libraries are critical for successful e learning, but their roles and ways of working are changing. I believe that all courses should have a librarian as part of the course team, both to help with identifying and organizing online resources, and for providing student help in locating information digitally. Education in information literacy and especially on evaluating the quality of source material, as well as how to find, analyze, organize and apply digital information linked to subject area needs should be a joint activity of teacher and librarian.

Does the course presence and virtual teaching change the type of education (distance or e learning)?

Every teacher now has to make a choice: where on the continuum of e learning should this course or program be? Just supplementing my classroom teaching; true blended learning; or fully online? The answer to the question depends on two factors: what kinds of student am I trying to reach? What is the nature of the subject material? Full-time students coming out of high school probably need more face-to-face teaching than full-time, mature working graduates who want updating or post-graduate courses. Some things are quicker and easier to do face-to-face; others are better done online, depending on the subject matter. However, it should be possible to design a course that meets all these needs.

We can not study medicine or arts in e-learning environment;one need practice and skills and the other talent. Is this a forbidden territory for elearning or elearning “fits” better to training for this fields?

No. In fact, medicine is one of the areas where e learning is used most in my university (UBC). A lot of medicine is digitally based and it is essential then that this is built into the curriculum and integrated within an e-learning environment. E learning is a critical component especially of the clinical placement of students in their third year, as they and their proctors (local doctors) are linked back to the university through the Internet.


What are in your opinion the great barriers in elearning set up?

In order of importance:

  1. Fear and loathing on the part of more senior professors due to their lack of understanding of technology and pedagogy.
  2. Senior management of universities who do not understand the changing requirements of knowledge-based societies and the importance of ICTs within all professions, and when they do recognize this, their failure to set and implement strategies to support the integration of ICTs within teaching throughout the university, which usually requires finding new or reallocating existing resources to make this happen. Too often it is left to individual professors to innovate without organizational help and support.
  3. In some countries lack of access to and/or high cost of technology.

Should the specialists analyze deeper the importance of independent learning?

There should be a progression from dependent to independent to inter-dependent or collaborative learning. This should be built into the design of whole programs, so that students progress through these stages in a supported manner

Is media literacy teaching and learning a serious condition of the elearning pedagogy?

Depends what you mean by media literacy. Most youngsters have enough media literacy when they come to university (the professors often don't). Students’ ability to use technology needs to be built on and modified to meet academic requirements.

What is the e-teacher status comparing to the “old/traditional” one?

Still poor, I guess, because without re-design, they have to spend more time teaching and hence less time on research (or family). Also there are no rewards (appointment, promotion, etc.) for doing elearning.